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As armadilhas do sucesso

As armadilhas do sucesso
 
As perspectivas de sucesso nunca foram tão favoráveis em nosso país. Nosso mercado cresce e a prosperidade floresce. Mas atenção: o sucesso traz consigo algumas armadilhas mortais. Confira.
No início de abril, a HSM promoveu o Fórum HSM de Gestão e Liderança que teve como uma das palestrantes Rosabeth Moss Kanter, uma das principais professoras de liderança e gestão de mudança da Harvard Business School e uma das maiores especialistas mundiais no tema. Nessa palestra, a professora apresentou um caso que me chamou a atenção pelo seu alinhamento com uma das minhas principais preocupações quanto ao atual momento dos negócios no país.
Segundo Rosabeth, havia uma equipe americana de futebol que tornou-se popular pelo fato de nunca conseguir vencer seus adversários. Era uma espécie de Ibis americano (aquela equipe pernambucana que se notabilizou no Casseta e Planeta como a pior equipe do mundo ficando quase quatro anos sem vencer nenhuma partida). O fato concreto, porém, é que essa equipe adotou uma postura determinada para buscar sua primeira vitória.
Diversas iniciativas foram tomadas nesse sentido sendo que a mais importante foram as intensificações dos treinamentos. Cada atleta investiu uma tremenda energia em busca de sua superação e o esforço para alcançar esse objetivo foi reconhecido por toda a comunidade que viu ali um exemplo de determinação.
Partida após partida o objetivo se tornava mais próximo. As derrotas já não eram tão fáceis e começaram a surgir os primeiros empates. Porém, nada de vitórias. Com a evolução da equipe, seus adversários começaram a respeitar mais seu potencial, pois reconhecia no grupo uma determinação importante, diferenciada. O comprometimento do time com o alcance de seu objetivo era inequívoco, impossível de passar despercebido.
Após meses de tentativas e trabalho duro, a primeira vitória chegou. Como não poderia deixar de ser diferente foi uma vitória magra, dura, conquistada com muito suor e defendida até o último segundo do jogo. As comemorações foram incríveis. Toda a comunidade congratulou-se com a equipe e seus heróis ficaram extremamente populares. Finalmente o esforço daquele grupo foi premiado e o tão sonhado objetivo alcançado. Os jogadores, inebriados pelo sucesso, sentiam-se totalmente realizados e as festividades continuaram por dias. Excelente, não é? Nem tanto.
No próximo jogo a equipe entrou confiante, certa de que tinha encontrado o caminho para o sucesso. Resultado? Uma estrondosa derrota. O adversário não deu nenhuma chance a confiante equipe e o que se viu foi um grupo apático de jogadores, sem foco e determinação. Parece que algo se perdeu no caminho. Todos ficaram atônitos diante de uma equipe com uma atitude muito diferente daquela que estavam acostumados a ver, mesmo nos momentos quando as vitórias não vinham. O mesmo ocorreu na 2ª, 3ª, 4ª e nas partidas seguintes. Todos se perguntavam: afinal, o que aconteceu com nossos heróis?
A resposta estava diante dos olhos de todos. Ao atingir seu principal objetivo, o grupo “baixou a guarda” e achou que a batalha estava ganha. Pensando assim abdicou de seu principal trunfo: a determinação em sua superação e o envolvimento pleno nos treinamentos. Como a equipe já havia atingido o patamar desejado imaginou-se que não seriam mais necessários os sacrifícios nos treinamentos buscando o “algo a mais”. Como sempre, esse raciocínio é o começo do fim, pois leva a uma atitude de arrogância, prepotência que, via de regra, traz como conseqüência o fracasso. Essa é a verdadeira armadilha do sucesso.
Além disso, o grupo confundiu fim com meio. O principal objetivo não era o de vencer uma partida. Na realidade o foco deveria estar centrado na formação de uma equipe vitoriosa capaz de conquistar diversas vitórias de forma sustentável e perene. A primeira vitória não deveria ser encarada como o fim e sim como o meio para conquista de confiança e para a iniciada da caminhada rumo ao verdadeiro objetivo da equipe: a formação de um grupo vencedor.
Boas lições para nosso dia a dia nos negócios, você não acha? Quantas vezes nossas vitórias, representadas pela conquista de um cliente complexo ou pela realização de uma grande venda, não nos dá a percepção de que estamos preparados para tudo? Quantas vezes não confundimos um êxito pontual com a conquista de nosso objetivo principal sem nos dar conta que pode ter sido apenas o início de todo processo e não o seu fim?
O atual momento por qual passamos no país é pródigo. Me deparo a todo dia com empresas e profissionais que estão crescendo vertiginosamente, e cujo nível de confiança é inimaginável para os padrões históricos de nosso país. É importante, porém, não perdermos a perspectiva e reconhecer essas armadilhas. Devemos aproveitar esse momento para conquistarmos nosso espaço, nos aprofundarmos em nosso aperfeiçoamento e nos prepararmos para um processo de crescimento sustentável. As vitórias sempre devem ser celebradas, porém não podemos abrir mão de retornarmos aos fundamentos e nos fortalecermos para as próximas batalhas.
E não menos importante: não existe atalho para o sucesso. Como diz aquele velho ditado: é só no dicionário que o sucesso vem antes do trabalho. Fique de olho nessas armadilhas, confie em você e faça a sua parte.
Por Sandro Magaldi (diretor comercial da HSM do Brasil, Professor da ESPM e autor do livro Vendas 3.0 - Uma nova visão para crescer na era das ideias. Visite seu blog: www.sandromagaldi.com.br)

HSM Online
22/04/2010

 

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